Saúde da mulher na pandemia é o tema central no I COISMSP

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Se você acha que os danos gerados pela pandemia da Covid se resumem a contaminação e  complicações severas da doença, a realidade de parte da população feminina pode mudar a sua visão. É preciso falar sobre a saúde da mulher na pandemia.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou 648 feminicídios no primeiro semestre de 2020, 1,9% a mais que no mesmo período de 2019. Além das agressões físicas fatais, existem registros de violência sexual, vulnerabilidade social e pobreza menstrual.

Na intenção de trazer melhorias e preparar os acadêmicos, da área da saúde, para entender as particularidades das mulheres, durante a pandemia, 26 ligas do Brasil todo organizam o primeiro Congresso Online de Interligas de Saúde da Mulher, o COISMSP.

O evento gratuito e virtual vai acontecer nos dias 6 e 7 de julho, das 18 às 20 horas. Temas como: saúde das mulheres em situação de cárcere, violência doméstica em  tempos de quarentena, até gestação de homens trans já marcam presença no Congresso.

As inscrições são ilimitadas e para participar do evento é só se inscrever, preenchendo o formulário criado pela organização do Congresso.

Acréscimo no aprendizado do aluno

Para a presidente da Liga Acadêmica de Reprodução Humana e Genética da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Julia Andalaft (23),  a decisão de capacitar profissionais da área da saúde e pacientes sobre os tabus da sexualidade pode diminuir os riscos da vulnerabilidade sexual feminina.

Quando você abre espaço para falar de sexualidade, quebrando tabus, você entregar conhecimento sobre temas como violência sexual e a necessidade do acolhimento médico da mulher, por exemplo. Falamos também sobre infecções sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada. Confesso que para mim, a quebra do tabu é um dos pilares mais importantes dentro do Congresso” ressalta Julia. 

Já a integrante da Diretoria de Patrocínio da Liga de Medicina de Família e Comunidade (UNIFAE/SP), Laura Andrade dos Santos (23) acredita que é uma obrigação do futuro profissional de saúde estar familiarizado com essas necessidades sociais. Para ela, o Congresso é uma oportunidade de oferecer essa capacitação, pouco comum na grade curricular dos cursos. 

Saúde da mulher na pandemia: 7 mil inscritos em 2020

Antes de se tornar um Congresso de Interligas, o COISMSP, em 2020, era um simpósio. Ao todo o evento reuniu 7 mil inscritos e 5 mil participantes. A organização, por sua vez, foi comandada somente pelo curso de medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

Após entender a necessidade de um desenvolvimento mais completo sobre a saúde feminina, além do acolhimento mais diversos dos estudantes, os organizadores do COISMSP incluíram outros cursos . Hoje em dia, outras formações como as de psicologia, odontologia e fisioterapia também contribuem com o Congresso.  

Uma outra novidade para esse ano de 2021 é que os estudantes interessados poderão submeter trabalhos durante o Congresso. Novidade que não era possível quando o evento era somente a versão Simpósio. 

Apoio a organizações sociais não governamentais

Esse ano, o COISMSP está trabalhando em parceria com as ONGs Nós mulheres, responsável em arrecadamentos de absorvente para mulheres privadas de liberdade, a Associação de Mulheres do Grajaú (AMG), dedicada a apoiar mulheres em vulnerabilidade social, e a Mulheres de Luz, apoiadora de mulheres em situação de prostituição.

Toda doação recolhida, em forma de dinheiro, através da Vaquinha aberta pelo Congresso será dividida entre as três ONG’s. O valor vai ser convertido em cestas básicas, produtos de higiene pessoal, leite, absorventes e produtos de limpeza. 

Para ajudar doando qualquer quantia é só acessar o link da arrecadação. Caso você tenha interesse em contribuir com produtos é só deixar a sua ajuda em uma das Universidade envolvidas com o Congresso.

Escolher qual instituição ajuda não foi uma tarefa fácil. Queríamos poder apoiar todas”, admitiu Julia rindo. 

Como participar da gestão de um Congresso como o COISMSP fazem de Julia e Laura profissionais melhores?

A possibilidade de trabalhar na gestão de um evento, que coordena mais de 80 pessoas de estados diferentes do Brasil, fizeram com que Júlia e Laura desenvolvessem melhores capacidades de trabalho em equipe e senso de coletividade.

As alunas estão há mais de um ano participando de suas respectivas Ligas. Essa é a primeira vez que as jovens trabalham juntas, em um mesmo evento acadêmico.

O dia da nossa entrevista foi, inclusive, a primeira vez que as alunas se viram. Mesmo estando as duas desenvolvendo o mesmo Congresso, o contato mais pessoal ainda não tinha acontecido.

O meio digital, estimulado pela pandemia, inaugurou um novo modo de desenvolver eventos acadêmicos e as Ligas encontraram nessa realidade a oportunidade de expandir seus horizontes. O perfil dos colaboradores, participantes e palestrantes se tornou bem mais diverso comparado a anos anteriores. 

Além de aproximar estudantes de diferentes regiões, a diminuição nos custos como passagem, alimentação e faixa de inscrição dos Congressos foram apontados por Júlia e Laura como um dos ganhos oferecidos pelo modelo digital, acolhido pelos eventos universitários. 

Agora com baixo orçamento, dependendo somente da sua conexão e um dispositivo digital para conexão, todo estudante do Brasil pôde participar do COISMSP e outros eventos acadêmicos. 

Como a Maconequi e a MD Spirit contribuem com o COISMSP? 

Na hora de desenvolver um Congresso, selecionar quais os patrocinadores não é uma missão nada fácil. Geralmente, as Ligas optam por instituições que acreditem no tema do evento, ofereçam boas colaborações e somem na credibilidade da organização.

A estudante Julia comenta que os patrocinadores também ajudam a impulsionar o alcance do evento. “Tanto a Maconequi como a MD Spirit são instituições reconhecidas dentro do ramo da saúde. Receber o apoio dessas empresas nos ajuda a provar para os alunos interessados que o Congresso é relevante e de qualidade”.

 

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