Endometriose: tudo o que você precisa saber está aqui! 

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A endometriose é a principal causa de dor pélvica e infertilidade entre as mulheres, porém ainda é desconhecida para muitas delas e até mesmo por alguns profissionais de saúde. No Brasil, pelo menos 1 em cada 10 mulheres sofre com a doença, ou seja, você certamente deve conhecer alguém que tenha endometriose.

Ficou curiosa? Quer saber mais sobre a endometriose? Então confira este nosso novo conteúdo. Boa leitura!

O que é a endometriose

A parede interna do útero é revestida por uma mucosa chamada endométrio. Porém, em algumas mulheres, essa mucosa cresce também em outras regiões do corpo, como ovários, intestino, no reto, na bexiga, nervos, peritônio (delicada membrana que reveste a pélvis), bem como diafragma, a pleura e os pulmões. E é justamente essa condição, que recebe o nome de endometriose (CID 10 – N80).

Todo mês, os hormônios produzidos pelos ovários estimulam as células do endométrio a se multiplicarem e se prepararem para receber um óvulo fertilizado. Com isso, a  mucosa aumenta de tamanho e fica mais espessa. Porém, quando há endometriose, essas células que crescem fora do útero, ao contrário das que ficam na parte interna do órgão, não são liberadas durante a menstruação e permanecem no mesmo lugar. 

A endometriose causa dores no período menstrual, infertilidade e dores nas relações sexuais, especialmente com penetração profunda. 

Normalmente, a endometriose começa alguns meses após a primeira menstruação, mas só é diagnosticada entre 25 e 35 anos. Esse atraso no diagnóstico acontece muito por conta da não valorização das dores intensas no período menstrual, principal sintoma da enfermidade.

Sintomas da endometriose

O principal sintoma da endometriose é a dor pélvica, quase sempre associada ao ciclo menstrual, mas não é o único. Outros sintomas bastante frequentes da doença são:

  • Dismenorreia (dores no período menstrual);
  • Dor no baixo abdômen ou cólicas que podem ocorrer por uma semana ou duas antes da menstruação de forma cíclica;
  • Dores nas relações sexuais com penetração, especialmente com profundidade;
  • Dores ao urinar e evacuar, especialmente no período menstrual;
  • Infertilidade;
  • Fadiga;
  • Diarreia, especialmente no período menstrual.

E, dependendo do órgão afetado, pode-se apresentar os seguintes sintomas: 

  • Pulmão: tosse com sangue;
  • Bexiga: dor ao urinar;
  • Intestino: dor ao evacuar e diarreia;
  • Ciático: dores na lombar e no músculo posterior das coxas;
  • Diafragma: dores no ombro direito e pescoço.

Causas da endometriose

As causas exatas da endometriose ainda não são claras, mas algumas das possíveis causas da doença são:

  • Menstruação retrógrada: quando o sangue da menstruação, que contém células do endométrio, sofre um refluxo para a cavidade pélvica por meio das trompas de falópio. Assim, as células endométricas perdidas instalam-se nas paredes dos órgãos da região pélvica e começam a crescer.
  • Crescimento de células embrionárias: as células que revestem o abdômen e as cavidades pélvicas são originárias de células embrionárias comuns. Porém, no processo de diferenciação tecidual, sob determinados estímulos  ainda desconhecidos, algumas células que revestem essas cavidades podem se converter em tecido endometrial, causando a doença. 
  • Sistema imunológico deficiente: deficiências no sistema imunológico também podem contribuir com o aparecimento da doença, tornando o organismo incapaz de reconhecer e destruir as células endometriais que crescem no lugar errado.

Fatores de risco da endometriose

Entre os fatores de risco da endometriose podemos mencionar:

  • Mulheres que têm mãe ou irmã com endometriose apresentam seis vezes mais chances de  desenvolver a doença; 
  • Começar a menstruar cedo;
  • Nunca ter tido filhos;
  • Menstruações que duram sete dias ou mais;
  • Anormalidades no útero.

Endometriose, infertilidade e gravidez

A presença de endometriose está associada à infertilidade feminina. Para se ter uma ideia, aproximadamente 50% dos casos de infertilidade feminina podem ter a endometriose como uma das principais causas. 

Isso acontece porque a endometriose pode danificar as tubas uterinas. O processo inflamatório crônico da doença leva à formação de aderências, o que pode resultar na obstrução das tubas uterinas e na redução da sua mobilidade. Dessa forma, o transporte do óvulo e dos espermatozoides se torna mais difícil, ou mesmo impossível. 

A presença de endometriomas (cistos de endometriose) nos ovários também pode comprometer a fertilidade, bem como as alterações inflamatórias e imunológicas no útero e endométrio que atrapalham, causadas pela doença, que podem impedir a implantação do embrião.

No entanto, quando a gravidez acontece, a endometriose não traz nenhum risco de má formação do feto ou parto prematuro. Mas aqui vai um alerta: mulheres com endometriose que desejam engravidar, não devem postergar a gestação, pois os problemas gerados pela endometriose tendem a piorar com o passar do tempo.

Diagnóstico e tratamento da endometriose

Sentir fortes dores durante o período menstrual e durante as relações sexuais não é normal e deve ser investigado por um ginecologista.

Na consulta, o médico irá investigar todos os  sintomas, o histórico médico e realizará exame pélvico com toque vaginal e retal. Deverá também pedir alguns exames, tais como ultrassom e ressonância magnética.

Uma vez diagnosticada a endometriose, o tratamento consiste na administração de medicamentos para controlar a dor e minimizar a progressão da doença. Em casos mais graves ou dependendo de outros fatores, como idade e desejo de engravidar, pode ser indicada a realização de cirurgia para a retirada das áreas afetadas pela endometriose.

Com relação aos medicamentos usados no tratamento da endometriose, são usadas pílulas anticoncepcionais com estrogênio e progesterona de modo contínuo, ou seja, sem pausas para menstruar, bem como progestagênios isolados, na forma de pílulas, injetável ou mesmo DIU. Com isso, é possível aliviar os sintomas da doença.

Já a cirurgia, ela pode ser feita de forma minimamente invasiva e pode remover os focos e drenar os cistos endometriais. Pode-se ainda fazer a ressecção de porções intestinais ou de bexiga quando há lesões envolvendo esses órgãos. 

Em alguns casos, a histerectomia (retirada do útero, trompas e dos ovários), também pode ser realizada. Mas essa opção é para aquelas pacientes que não responderam bem aos tratamentos hormonais e que já tiveram ou não desejam ter filhos. 

A endometriose tem cura?

A endometriose, infelizmente, não tem cura. No entanto, ela pode ser controlada através do tratamento adequado prescrito por um  médico ginecologista. Dessa forma, desde que a mulher faça suas consultas regulares e siga todas as orientações, é possível melhorar bastante a qualidade de vida e aliviar os sintomas. 

Na menopausa, a progressão da endometriose diminui, já que há queda no nível dos hormônios e, consequentemente, a redução da menstruação. Esse cenário pode representar a “quase cura” da doença para muitas mulheres.

Gostou? Agora que você já sabe tudo sobre endometriose, continue seguindo nosso blog para outros conteúdos interessantes e dicas de saúde de bem-estar.

 

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